Pessoal, indico a leitura dos trechos abaixo do livro “O problema do sofrimento” de C.S. Lewis para meditação. Perseverem na leitura, vale muito a pena!
Deus abençoe a todos, tenham um ótimo fim de semana!
A necessidade de morrer diariamente é indispensável, pois por mais que julguemos ter esmagado o “eu” rebelde, vamos sempre descobri-lo vivo.
O espírito humano não começará sequer a tentar render a vontade enquanto tudo parecer que está correndo bem. O erro e o pecado possuem ambos esta propriedade, quanto mais profundos são tanto menos as suas vítimas suspeitam de sua existência; são um mal mascarado. O sofrimento é um mal às claras, indiscutível; todo homem sabe que algo está errado quando sente dor.
E a dor não é apenas um mal identificável, mas um mal impossível de ignorar. Podemos repousar satisfeitos em nossos pecados e estupidez; mas o sofrimento insiste em ser notado. Deus sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nosso sofrimento: ele é o seu megafone para despertar um mundo surdo.
Até que o perverso descubra que o mal se acha indiscutivelmente presente na sua vida, na forma de sofrimento, ele está envolto em uma ilusão. Uma vez que a dor o desperte, ficará sabendo que, de uma ou outra forma, se acha “em’ oposição” ao universo real: ou ele se rebela (com a possibilidade de um resultado mais claro e um arrependimento mais profundo num estágio posterior) ou então tenta fazer um ajustamento, no qual, se persistir, chegará à religião.
Não há dúvida de que o sofrimento como o megafone de Deus é um instrumento terrível, podendo levar à rebelião final, que não dá lugar ao arrependimento. Mas ele fornece também a única oportunidade que o perverso pode ter de emendar-se. Ele remove o véu, planta a bandeira da verdade na fortaleza de uma alma rebelde.
Se a primeira operação do sofrimento destroça a ilusão de que tudo está bem, a segunda faz cair a ilusão de que aquilo que temos, quer seja bom ou mau em si mesmo, é nosso e basta para nós. Todos sabem como é difícil voltar nossos pensamentos para Deus quando tudo vai bem conosco. A expressão “temos tudo o que queremos” é uma frase terrível quando esse “tudo” não inclui Deus. Nós achamos que Deus é uma interrupção. Como diz Sto. Agostinho em algum lugar, “Deus quer dar-nos algo, mas não pode, porque nossas mãos estão cheias – não há nelas lugar para colocá-lo”. Ou como afirmou um amigo meu: “consideramos Deus como um aviador considera o seu paraquedas; ele o leva para as emergências, mas espera jamais ter de usá-lo”.
Todavia, Deus, que nos fez, sabe o que somos e que nossa felicidade está nEle. Nós, porém, não a buscamos nEle enquanto permitir-nos qualquer outro recurso onde ela possa plausivelmente ser procurada. Enquanto aquilo que chamamos de “nossa própria vida” permanecer agradável, não iremos entregá-la a Ele. O que pode então Deus fazer em nosso benefício senão tornar “nossa vida” menos agradável, e remover as fontes plausíveis da falsa felicidade? É justamente aqui, onde a providência divina parece à primeira vista ser mais cruel, que a humildade divina, o rebaixamento do Altíssimo merece o maior louvor.
Chamo a isto de humildade divina porque é deprimente procurar Deus quando o navio está afundando debaixo de nós; deprimente achegar-nos a Ele como um último recurso, oferecer nossa pessoa quando não vale mais a pena guardá-la. Se Deus fosse orgulhoso Ele jamais nos aceitaria nesses termos, mas Ele não é orgulhoso, Ele se abaixa para conquistar, Ele nos aceita embora tenhamos mostrado que preferimos tudo o mais a Ele, e nos achegamos porque agora não há “nada melhor” que possamos ter.
Não há dúvida de que o sofrimento como o megafone de Deus é um instrumento terrível, podendo levar à rebelião final, que não dá lugar ao arrependimento. Mas ele fornece também a única oportunidade que o perverso pode ter de emendar-se. Ele remove o véu, planta a bandeira da verdade na fortaleza de uma alma rebelde.
Se a primeira operação do sofrimento destroça a ilusão de que tudo está bem, a segunda faz cair a ilusão de que aquilo que temos, quer seja bom ou mau em si mesmo, é nosso e basta para nós. Todos sabem como é difícil voltar nossos pensamentos para Deus quando tudo vai bem conosco. A expressão “temos tudo o que queremos” é uma frase terrível quando esse “tudo” não inclui Deus. Nós achamos que Deus é uma interrupção. Como diz Sto. Agostinho em algum lugar, “Deus quer dar-nos algo, mas não pode, porque nossas mãos estão cheias – não há nelas lugar para colocá-lo”. Ou como afirmou um amigo meu: “consideramos Deus como um aviador considera o seu paraquedas; ele o leva para as emergências, mas espera jamais ter de usá-lo”.Todavia, Deus, que nos fez, sabe o que somos e que nossa felicidade está nEle. Nós, porém, não a buscamos nEle enquanto permitir-nos qualquer outro recurso onde ela possa plausivelmente ser procurada. Enquanto aquilo que chamamos de “nossa própria vida” permanecer agradável, não iremos entregá-la a Ele. O que pode então Deus fazer em nosso benefício senão tornar “nossa vida” menos agradável, e remover as fontes plausíveis da falsa felicidade? É justamente aqui, onde a providência divina parece à primeira vista ser mais cruel, que a humildade divina, o rebaixamento do Altíssimo merece o maior louvor.
Chamo a isto de humildade divina porque é deprimente procurar Deus quando o navio está afundando debaixo de nós; deprimente achegar-nos a Ele como um último recurso, oferecer nossa pessoa quando não vale mais a pena guardá-la. Se Deus fosse orgulhoso Ele jamais nos aceitaria nesses termos, mas Ele não é orgulhoso, Ele se abaixa para conquistar, Ele nos aceita embora tenhamos mostrado que preferimos tudo o mais a Ele, e nos achegamos porque agora não há “nada melhor” que possamos ter.
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